segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Marcos Nigro







Os olhos amendoados, mas profundos, 'dançam' num leve estrabismo.Olhos que parecem ver além do além,
Como se percrustassem o insondável
O movimento da vida sendo lido sem que saia do lugar. Só com o olhar...traçando marcos...
Observando marcas...
Parece percorrer trilhas emocionais sem medo de ser atropelado por locomotivas de angústias alheias,
Nos deixa a impressão pela expressão que ao mínimo gesto poderá destravar trancas abrindo portas. Soltar feras enjauladas.
Quem será este homem belo?
Pleno.
Plural.
Singular.
Será que é um poderoso mago capaz de praticar uma das mais poderosas artes que é a de tentar curar as almas dessa grande e louca locomotiva que é a vida?
O prenúncio de um leve e confortador sorriso que se forma em sua bela face nos convida a ficar... Fascinados,desarmados,
Embarcamos na sua estação...









Obra de Marcelo accarini









*Marcos Nigro é psiquiatra

Antunes Filho, o velho mestre do teatro






"Antunes Filho, o velho mestre do teatro"

De discípulo a mestre.
O teatro sempre um meio. Não um fim...
Mas no tribunal de si mesmo
O veredicto:não quer ser somente fruta madura ou
o velho mestre ‘gestando’novos ‘senhores’ do palco. Absolutamente absolutos!
Quer ser sempre semente.Pronta para recomeçar...
Não quer ser sempre pai.
Quer também ser filho.
Antunes Filho...












Obra de Marcelo Accarini




sábado, 26 de novembro de 2011

Não posso matar um leão por dia





Célia Pires
A cada dia tenho que acalentá-lo.
Faze-lo entender que a lei da selva nem sempre é possível e passível de ser aplicada. Que é preciso cuidado, pois hoje a seleção da espécie não é mais natural e sim artificial, recriada de acordo com interesses muitas vezes mundanos.
Vou aos poucos o ensinando a caminhar na selva, a dar um passo de cada vez e não se lançar às coisas como um predador. É preciso cautela, pois nem sempre a caça é saborosa.Muitas vezes o frango está travestido de pavão!
Vou o orientando a olhar em volta, pois quase sempre a floresta possui armadilhas escondidas e árvores ocas que podem tombar a qualquer momento sobre nós e nem perceber o estrago que fez em nossas vidas.
Vou mostrando que na vida é possível amar e crescer sem dor.
Muitas vezes ele me escapa ao controle e ruge para aqueles que teimam em feri-lo. Difícil explicar e faze-lo entender que as armas podem ser outras. Difícil, mas não impossível.
A cada dia é preciso protegê-lo, muitas vezes de si mesmo. Todo mundo cresceu ouvindo dizer que é preciso matar um leão um por dia. Ando na contramão da história. Ao contrário de todos, tenho que doma-lo. Por uma única e simples razão: na cova dos leões eu sou o ‘LEÃO’!
Eu sou um ‘Leão’!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cabeça






Célia Pires




Olha-se no espelho da alma. O que vê não o agrada.
Uma figura patética, deformada pelas vicissitudes da vida.
Quais pintores do destino teriam pintado para ele um quadro de cabeça pra baixo? Não se lembra de ter pousado para ser retratado com pasta grossa de ressentimentos fazendo com que existisse uma cabeça dentro de outra cabeça. Mas ele não era esse ser deformado, trágico e sombrio. As vozes dentro de sua cabeça dizem que não.
Pergunta-se que quem teria misturado as cores, borrado o verde da esperança e diluído o azul dos seus sonhos e ideal?Quem teria roubado de se as cores do mistério e da fantasia?
O que o teria levado a ser esse ser patético, medroso, lançado à solidão, à miséria humana? A uma vida sem pé nem cabeça?
Queria ser o ‘cabeça daquela situação. Queria ser pintado com cores suaves, reais. Sem dor de cabeça. Sem explosões de cores sombrias
Lembra-se de uma velha frase: sua cabeça , sua sentença.
Em desespero roga aos céus que as mãos dos pintores do destino o pintem sem utilizarem tintas ásperas que lhe arranham a tela da alma provocando dores, afastando, os afetos, os amores e que removam essa grossa casa que deforma seu ser.
Decidido a mudar o quadro de sua vida deixa-se pintar.Aos poucos sente o pincel, às vezes a espátula num vai e vem, fazendo e refazendo, desempastando, de forma suave, mas intensamente apaixonada.
Estranhamente vê que as cores utilizadas são as mesmas. Vai aprendendo que cada cor tem a sua importância.
Impressionado, vê tudo ganhar novo sentido.
De repente, quando decide novamente olhar no espelho da alma para agradecer aos pintores do destino, percebe as mãos carregadas de pincéis e espátulas; Seu sorriso brota cheio de genuína alegria.Havia montado o próprio quebra-cabeça .Não havia pintores do destino. Ele era o autor de sua história, o pintor de sua obra. O pintor de sua obra...






Obra de Marcelo Accarini