quinta-feira, 24 de março de 2011

Lua


Foto de João Ferraz



Lua
Célia Pires
Quero nessa noite de Lua.
Linda.
Sublime.
Mágica.
Ouvir a sua voz me dizendo: te quero!
Me iludindo dizendo que buscaria o lindo satélite para mim se preciso fosse!
Quero essa noite assim. Com esse luar poético.
Envolvente.
Ouvir sua voz que penetra não só os meus ouvidos,mas as entranhas...
Receber, amado, seus beijos adocicados.
Gulosos.
Deliciosos...
Quero também olhar essa Lua ao som da nossa doce canção
Sim essa noite e mais outra e outra e outra... quero essa 'caricia' na alma...no corpo e no coração...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Outro barco na Ilha Bela



Obra do pintor Marcelo accarini

http://www.accarinifinearts.blogspot.com/


'Outro barco na Ilha Bela'

A beleza é tanta que lhe batizaram Bela.
E são tantos os apaixonados que a desejam
Mas ela, a Ilha, somente acolhe e nutre
quem lhe dedica amor
A esses, acaricia, deixando suas águas mais 'macias' e o salgado mais doce
A esses ela cuida:os torna únicos e não apenas mais um outro barco...
Se faz ainda mais sedutora aninhando-os em seus ondulantes braços, oferecendo seus lábios, que magicamente destilam mel, e sem holocausto, mas com prazer,a bela ilha se entrega...

domingo, 13 de março de 2011

Alma Vazia


Foto de João Ferraz


Alma Vazia

Célia Pires
Uma certa melancolia o paralisa.
O invade como uma sinuosa serpente
envenenando sonhos.
Ofuscado pelo dor da solidão não se permite fitar o céu e brincar com as figuras formadas pelas nuvens de 'algodão'.
E sem nenhum brinquedo se fecha em si mesmo. Tranca as portas. Janelas.
E sozinho consigo mesmo se entrega a um pranto convulso até deixar a alma vazia. Limpa.
De repente, a esperança cava uma brecha e surge como um arrimo, como um bote salvador. Ele se lança como um naufrago e a agarra e deixa que essa esperança preencha a sua alma vazia...a sua alma vazia...

Destino

Foto de João Ferraz


Destino

Célia Pires
Havia um tempo que a vida não me pesava.
Eu era como uma pena solta no espaço.
O comprometimento apenas de ser. Criança!
Onde qualquer canto de passarinho fazia surgir uma súbita alegria.
Eu não tinha esse olhar errante.
E a felicidade podia ser traduzida em ser conduzido na garupa de meu pai. Eu era apenas um menino com um brilho genuíno no olhar. Inocente de tudo.
Meu destino era apenas o de ser feliz. Ser feliz...
Em que momento foi que me perdi de mim?

sábado, 12 de março de 2011

Estação de trens em Araraquara









Obra do pintor Marcelo Accarini









Estação de trens em Araraquara










Célia Pires


Havia vida.
O lugar de despacho de cargas.
O armazém
O vai e vem de carroceiros que faziam a festa transportando mercadorias: de malas a cerveja ensacada.
A baldeação, onde os passageiros por conta da diferença de bitola tinham que trocar de trem.
O restaurante sempre concorrido
Os convidativos bancos para se sentar enquanto o trem não chegava
A sala de espera
O guichê
O burburinho daqueles que não iam embarcar, mas que encontravam no lugar entretenimento.
Encontros.
Desencontros
Estação de Flores. De dores. Amores
Outra vida.
Outro mundo.
A cidade era vista a partir da Estação.Hoje a estação abriga um museu de si mesma para não ficar esquecida no vagão do tempo. Para não virar ‘estação solidão’
E agora quem por ali passa recarrega o ‘vagão’ que vaga na própria alma salpicada de lembranças: o apito.
O maquinista.
O vendedor oferecendo toda sorte de doces e sedutores biscoitos de polvilho. Gigantes.
Que coisa mágica era tudo isso. A trilha sonora produzida pelo trilho embalava quem ia observando a paisagem através da janelinha.
A estação que recebeu trens de passageiros até março de 2001, foi o ponto de partida para tantas outras partidas, mas também de chegadas. Quem por ela passou, não sabia que um dia o bilhete ali vendido seria o da saudade. O da saudade...

sexta-feira, 4 de março de 2011

ACALANTO



Acalanto

Se eu pudesse te aliviaria o peso dos ombros
Se eu pudesse afagaria seus músculos até aliviar qualquer dor e depositaria todos os meus beijos
Se eu pudesse te embalaria depois de lavar seus pés, o ninaria como uma criança sedenta de colo até você dormir um sono dos justos, mas só posso desejar, mas só posso desejar, pois você não é meu, não é meu...

MEU CARNAVAL!




Meu carnaval!!!!!!!!

Célia Pires

Digo pra ele: "Sabe aquele som bem forte da bateria de uma escola de samba que parece abalar até nosso coração? Assim você chegou...abalando minhas estruturas!
Sabe os mais lindos adereços que nos encantam na passarela, que parecem feitos de sonhos e pintados com os pincéis da alegria de tão belos ?
Sabe o enredo perfeito?
Samba do bom na veia?
Diante de minha empolgação ele calmamente diz: querida...detesto carnaval!SIMPLESMENTE DETESTO!!!!!
Mas não recuo, assumo a comissão de frente, abro alas e digo:
Meu carnaval é você!
Sim, tudo isso é você,uma escola de maravilhas...