terça-feira, 14 de setembro de 2010

O silêncio na catedral vazia de outros viventes é prata.
A paz que isso provoca em meu coração é ouro.
Impossível, nesse silêncio 'gótico', que convida a mergulharmos em nós mesmos,e em meio a tanta beleza, me lembrar se sou beata, atéia ou qualquer coisa que o valha!
Só sei que experimento a força daquela fé que move o mundo e que é impossivel profanar,impossivel profanar, pois é valiosa, como a prata.Como a Catedral de La Plata!!!!!!!!

Ipê



"Ipê"

É nativa.Brasileira!
Casca grossa,calejada dos ventos fustigantes, mas feiticeira faz das folhas, flores.Camaleoa.Sem frescuras , por vezes,'transita' por solos secos, pedregosos e ainda assim surge
exuberante em flores que encantam, apaixonam
e fazem com que o pintor,um jardineiro da vida,ao se sentir tocado por tanta exuberância a 'plante' num quadro como uma linda e mágica 'mancha' de inebriantes cores...

Mulher


Mulher
sobre
tela
Mulher,
contudo,com tudo
todavia,
toda via
toda vida, mas
sobretudo,
é
TUDO,
pois Mulher
não se discute
se aceita a essência

Entrou pelo cano

Foto-João Ferraz


"Entrou pelo cano"

Célia Pires

Curioso foi em frente e não titubeou. Não percebeu o caminho estreito que por vezes temos que percorrer para sanar as ambições. Não percebeu os arranhões feitos na passagem, que poderiam se transformar em feias feridas, onde talvez, não houvesse ninguém por perto para ouvir seus queixumes, seu gemido de dor.
Mas fascinado pelo que poderia encontrar do outro lado seguiu, bebado de cobiça, embriagado de desejo.
Certo de que valia à pena pagar qualquer coisa pela vista não se importou com o horror que poderia advir e como um cão de faro manco entrou de cabeça no cenário, sem cautela, sem se importar com o perigo iminente. Só na expectativa da visão, antecipando o gozo da contemplação. Foi em frente, mas entrou pelo cano, e a despeito de todo e qualquer perigo pelo qual enfrentou não se arrependeu e ali pela abertura do cano teve o prazer de ver o maior espetáculo de sua existência e teve a certeza de que cautela é bom, mas às vezes desafiá-la e ultrapassar as fronteiras de si mesmo pode mudar a sua vida, mesmo que alguns digam: "ele entrou pelo cano".E dai?

Tempo de felicidade

Foto-João Ferraz







"Tempo de felicidade"



Célia Pires
Tempo em que o peso nos ombros era somente o da mochila.
Onde era tempo de vida. Onde a turbulência visitava cada comodo de nossa curta existência e era transformada em pura energia de correr, nadar, gritar e muitas pipas no ar
Passava o peixeiro gritando pexeeeeeiroooooooooooooooo!
O verdureiro, mas a alegria mesmo era quando vinha chegando o pipoqueiro com as delicias simples em forma de paçocas, pés de moleque, maria mole, caramelos. Suspiros, ah, suspiro de saudade!
Não havia a escuridão da violência que embota hoje tantas vidas inocentes.O amor nos chegava inocentemente, por admiração e sem intenção nenhuma de cair matando'!Só olhar, só olhar...e nos envergonharmos ao sermos descobertos ou nos gabarmos se fossemos o fruto da tal admiração. Ai, ele ou ela gosta de mim"
O místério nas histórias de dar medo como a da loira no banheiro.
A feia fumaça das queimadas não nos ardia os olhos e lágrimas somente quando perdiamos no bafo(figurinhas) ou levavam 'sem querer' nossas bolinhas de gude.
A festa das brincadeiras nas ruas sem medo de sermos atropelados. Já conseguiu arrancar a ponta do dedão do pé com um tropicão e o mundo quase acabar por isso? Ah, passar o terrível mertiolate que nos ardia até a a alma. Já viu uma galinha atravessar a rua com um monte de pintinhos em fila indiana? Já se embrenhou pelos matos um dia inteiro e voltou com a 'caça' nas mãos?Nadou nos rios com medo de desaparecer no 'sumidouro'? Ficou chocado ao saber da morte de fulano que tinha enchido a cara de manga verde e foi nadar em seguida? Tomou suco em embalagens no formato da fruta como laranja ou uva?Ficou morrendo de medo de ser pego ao tocar a campainha de uma casa? As pernas pra que te quero correndo na velocidade da luz. Delícia!Amigos na calçada, amigos em cima das árvores,amigos pra acompanhar a gente até a escola, pra reclamar das coisas, contar as novidades, amigos pra pedir metadinha do lanche, amigos pra o que der e vier, amigos de verdade...
Inventores, construíamos carros com latas e carretéis de linha. Pasmem: andavam!Tenho quase certeza de que a reciclagem começou ali.
Politicos da boa vizinhança, bagunçavamos as casas alheias como se fossem as nossas e ainda saimos com o sorriso de orelha a orelha, pois erámos contemplados com bolo, pão feitinho na hora e Ki-Suco saboroso geladinho!
Recitou na escola se sentindo um artista? Pertenceu a uma laia?
Tanta coisa . Mas cada época é uma época e cabe a cada um guardar como uma relíquia aquele que foi o seu tempo de felicidade...o seu tempo de felicidade....

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Unidos



Foto-João Ferraz


Unidos

Célia Pires
O amor é isso: juntos e ao mesmo tempo separados.
Unidos por uma luz que alumia uma ponte chamada perseverança que nos permite, mesmo com os abalos, seguirmos em frente. O amor não pode ser começado pensando que teremos um final feliz. O amor não tem fim. Ele é uma verdade que existe ou não dentro de nós. Nos une e ao mesmo tempo nos liberta daquela busca incessante e agoniante de encontrarmos quem nos queira tal como somos e que não vai se apartar da gente quando as sombras vierem, pois elas vêm. Não nos iludamos do contrário.
Não é errado querer laços, pois o problema começa quando eles se tornam nós.
Criam raízes dificies de serem arrancadas e quando finalmente são extraídas sempre deixam um rastro de dor.
Tem um ditado que diz que quando brincamos com fogo podemos nos queimar e mesmo sabendo de antemão o quão quente é teimamos. Teimamos e teimamos. Transformados em fumaça lá vamos nós, fortalecidos pelo outro ditado que diz onde há fumaça há fogo. Assim, caminhamos e caminhamos e por fim concluímos que andamos tão carentes ultimamente. Essa vida atribulada quase nos consome por inteiro.
Queremos pausa nessa turbulência. Queremos que o avião despenque de um vez lá do alto, mas que pouse com tranqüilidade,para que possamos descer sãos e salvos.
Mas mesmo que isso aconteça nem sempre queremos repetir a viagem, pois uma vez vivenciado o vôo já saberemos a sensação e se nos causou dor ou estranheza não vamos querer repeti-lo.Não queremos nos arriscar não é? Passamos por um tempo a prosseguir à pé, mas até que chega uma hora em que pensamos: "vai que o vôo dessa vez tenha uma paisagem diferente?" Assim, novamente lá estamos passageiros de uma nova aventura até que conhecido todo o mapa deixamos de querer passar por aqueles territórios.Nos transformamos em nomades de sentimentos? Sentimentos ou sensações? Mas sabemos a diferença e como sabemos!
Mas não devemos nos esquecer que nem todos os passageiros são iguais. Nem todos estão em busca de aventuras, alguns têm uma direção clara do que querem. Não querem apenas desejar. Querem ser, fazer, estar.Unidos.
Qual será o momento em que aprenderemos que os sentimentos alheios ou mesmo os nossos não são simples cordas de um instrumento que podem chegar e tocar ao bel prazer? É necessário, ensaio, afinação, sintonia ou o risco de platéia vazia é grande.
Por isso é uma benção quando podemos seguir assim unidos, mas 'separados', preservando a individualidade, ligados por fios de comprometimento encapados com o respeito. É raro, mas não impossível.
Nosso grande mal é sempre achar que vamos enjoar 'do pra sempre' e assim ao longo do percurso até parece que 'trabalhamos' um pouco contra, cortamos fios, apagamos as luzes da paixão e queremos que tudo dê certo acendendo apenas um palito de fósforo. Mas quando nos desarmamos e deixamos rolar isso até pode acontecer, mas unidos, um dos dois vai deixar um ' soldadinho' de atalaia municiado com 'armas' de afeto, carinho, compreensão e sobretudo perseverança, porque sofrer não é bom, nem unidos, nem separados. Muitos já aprenderam a lição de que a dor é bonita somente na poesia...

sábado, 4 de setembro de 2010

Fixo

Foto-João Ferraz

Fixo


Célia Pires

Muitos vêm e vão.Você não.
Você fica.Aqui.
Dentro de mim.Em mim.
No coração.
Fixo...