quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quem dera...



Celia Pires


Quem dera a gente encontrasse no meio do caminho um ser inteiro e não pela metade.
Um alguém que tivesse coragem de não se ocultar de si mesmo
Que não se sentisse constrangido por alguém lhe declarar amor.
Que acha e pensa que amor é algo efêmero e quer que o outro entenda que isto (do amor viver apenas uma temporada) é suficientemente claro e racional e que um pedido de desculpas abranda a dor do engano.
Quem dera tivéssemos o dom de perceber que ao invés da flor nos oferecem espinhos travestidos de gentil carinho, sem medo de machucarem o ser cativado e sangrá-lo até o âmago de seu ser!
Quem dera pudéssemos nos jardins do coração colher das rosas apenas suas macias pétalas, apenas suas macias pétalas....

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Marcos Nigro







Os olhos amendoados, mas profundos, 'dançam' num leve estrabismo.Olhos que parecem ver além do além,
Como se percrustassem o insondável
O movimento da vida sendo lido sem que saia do lugar. Só com o olhar...traçando marcos...
Observando marcas...
Parece percorrer trilhas emocionais sem medo de ser atropelado por locomotivas de angústias alheias,
Nos deixa a impressão pela expressão que ao mínimo gesto poderá destravar trancas abrindo portas. Soltar feras enjauladas.
Quem será este homem belo?
Pleno.
Plural.
Singular.
Será que é um poderoso mago capaz de praticar uma das mais poderosas artes que é a de tentar curar as almas dessa grande e louca locomotiva que é a vida?
O prenúncio de um leve e confortador sorriso que se forma em sua bela face nos convida a ficar... Fascinados,desarmados,
Embarcamos na sua estação...









Obra de Marcelo accarini









*Marcos Nigro é psiquiatra

Antunes Filho, o velho mestre do teatro






"Antunes Filho, o velho mestre do teatro"

De discípulo a mestre.
O teatro sempre um meio. Não um fim...
Mas no tribunal de si mesmo
O veredicto:não quer ser somente fruta madura ou
o velho mestre ‘gestando’novos ‘senhores’ do palco. Absolutamente absolutos!
Quer ser sempre semente.Pronta para recomeçar...
Não quer ser sempre pai.
Quer também ser filho.
Antunes Filho...












Obra de Marcelo Accarini




sábado, 26 de novembro de 2011

Não posso matar um leão por dia





Célia Pires
A cada dia tenho que acalentá-lo.
Faze-lo entender que a lei da selva nem sempre é possível e passível de ser aplicada. Que é preciso cuidado, pois hoje a seleção da espécie não é mais natural e sim artificial, recriada de acordo com interesses muitas vezes mundanos.
Vou aos poucos o ensinando a caminhar na selva, a dar um passo de cada vez e não se lançar às coisas como um predador. É preciso cautela, pois nem sempre a caça é saborosa.Muitas vezes o frango está travestido de pavão!
Vou o orientando a olhar em volta, pois quase sempre a floresta possui armadilhas escondidas e árvores ocas que podem tombar a qualquer momento sobre nós e nem perceber o estrago que fez em nossas vidas.
Vou mostrando que na vida é possível amar e crescer sem dor.
Muitas vezes ele me escapa ao controle e ruge para aqueles que teimam em feri-lo. Difícil explicar e faze-lo entender que as armas podem ser outras. Difícil, mas não impossível.
A cada dia é preciso protegê-lo, muitas vezes de si mesmo. Todo mundo cresceu ouvindo dizer que é preciso matar um leão um por dia. Ando na contramão da história. Ao contrário de todos, tenho que doma-lo. Por uma única e simples razão: na cova dos leões eu sou o ‘LEÃO’!
Eu sou um ‘Leão’!