segunda-feira, 18 de outubro de 2010

La Boca

Obra do pintor Marcelo Accarini


La Boca

Célia Pires



La Boca se abre,mas não para mostrar os dentes, abocanhar, mastigar e engolir, mas para sorrir!
A Boca é Juniors,mas também River Plate.É um pedaço de Buenos Aires!
Vaidosa se oferece por inteiro. Aprecio a inebriante vista multicor.
Sigo 'caminando sin rumbo' e me deparo com um lugar que sacode de emoção todo o meu ser e faz com que eu deseje desesperadamente jogar a ancora e fazer daquele porto o meu ponto, não de partida,mas de chegada.

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Igreja em Itu




Obra do pintor Marcelo Accarini
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Igreja em Itu
Célia Pires

Tão grande a fé.
Foi acender vela na Candelária: valha-me Nossa Senhora!!
Ao entrar quase se perdeu na arte que lhe lembrou o infinito.
Na cidade onde tudo era exageradamente grande, sentiu sua pequenez diante da grandeza daquela beleza barroca.
Embora fosse tão grande a fé, era um ser humano, e para não pecar ainda mais transformou a cobiçosa contemplação em oração, em oração...

Caminho do bom viver


Obra do pintor Marcelo Accarini
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Caminho do bom viver

Célia Pires
No instante em que o céu próximo ao horizonte
tinge-se de um azul diferente, meu coração em rebuliço parece se acender de alegria.
Pois o crepúsculo me avisa
que está na hora de retornar ao caminho do bom viver.
E protegido pela escuridão que se aproxima,
sigo transbordando de felicidade, pois sei que entre a nesga dessa paisagem vou chegar ao meu abrigo e ser acolhido pela mansidão de seu olhar...

Sacré et profane

Obras do pintor Marcelo Accarini
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Sacré et profane

Célia Pires
Pra que sondar meus sentimentos?
Se me denuncio num olhar ?
Na palavra dada?
Na minha inquietude?
A verdade inexoravel é essa: te quero!
Sacro ou profano.Te quero com qualquer tinta. Em qualquer moldura. Quero arder no teu fogo e te comungar por inteiro, por inteiro...

domingo, 17 de outubro de 2010

Curva


Obra do pintor Marcelo Accarini
Curva
Célia Pires
Depois da amarga revelação, esmagado pela fulminante verdade,
correu desvairadamente até chegar na curva da estrada.
Mas ela, na fuga,não havia deixado rastros.
Tomado pela furia havia jurado vingança. A traiçoeira haveria de pagar o mal que lhe fez.
E ali na curva da estrada, por um momento sentiu o chão, a terra ainda não machucada pelo asfalto,a sombra de uma bela árvore, o horizonte. E tal como veio o ódio foi-se.Também amava aquele chão.
Abençoou o sopro do vento que lhe chegou como um beijo de esperança.
Desistiu de buscar por ela.
De novo descobriu que amava aquele chão.Com a descoberta,abriu mão dos espinhos, soltou as amarras da dor.Libertou-se emudecendo a voz de prisão imposta por si mesmo, imposta por si mesmo...

Depois do amor

Obra do pintor Marcelo Accarini

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"Depois do amor"
Célia Pires
Depois da da jornada
ainda sinto a eletricidade de suas mãos
bulindo.
Os movimentos.
Ardentes.
Românticos.
Impetuosos.
A fartura de beijos que nos deixou tontos.
Que me deixaram marcas de tinta fresca. Alegria!Alegria!
Alheia ao que acontece ao mundo lá fora me pego a olhar
demoradamente para gravar traços. Seus.
Não reparo nos olhos, mas no olhar e
o que neles leio me faz desmanchar de e em pura ternura,
despertando em mim uma louca vontade de recitar, de declamar toda a poesia que fica depois do amor...depois do amor...

Agonizando

Foto de João Ferraz

"Agonizando"


Célia Pires



Ás vezes somos deveras criativos para mascarar aquilo que nos vai no coração. O grande desafio é nos deixar cortar por essa grande navalha que é a vida.Sem medo de sangrar as desesperanças, as dores, as desilusões do que poderia ter sido e não foi. Agonizando e agonizantes vamos seguindo em frente.
Assim,para sobrevivermos perante ao tribunal imposto por nós mesmos, arrumamos alibis que justifiquem nossas metas não cumpridas, nossos desejos não satisfeitos. Nos transformamos em 'delinquentes' do bem, pois que nunca somos culpados. Temos a coragem de dizer que nos falta coragem!Quando na verdade nos falta vergonha de parar de viver um faz de conta: faz de conta que ganho, faz de conta que sou amado, faz de conta que sou feliz, faz de conta que ajudo o próximo, faz de conta que sou uma pessoa legal e por ai vai..
Sim, somos os protagonistas de nossa própria história e cabe a cada um de nós decidir que quando a vida nos oferece uma corda chamada felicidade cabe somente a gente,estrangulá-la ou fazer um belo laço...